Discursos

DISCURSO PROFERIDO PELO DEPUTADO MAURO BENEVIDES
NA SESSÃO SOLENE EM HOMENAGEM À SEMANA GLOBAL DAS NAÇÕES UNIDAS DE SEGURANÇA VIÁRIA E EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DE TRÂNSITO NO BRASIL DE 23 DE ABRIL DE 2007

SENHOR PRESIDENTE
DIGNÍSSIMAS AUTORIDADES
SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS:

Em nome da Liderança do PMDB, ocupo a tribuna nesta Sessão Solene, para manifestar o apoio de nosso Partido à Semana Global das Nações Unidas de Segurança nas Vias Urbanas e Rurais, bem como o nosso respeito à memória de tantos brasileiros vitimados em acidentes de trânsito, cada vez mais trágicos e chocantes.
A iniciativa da ONU de promover essa Semana, em âmbito mundial, é extremamente louvável e oportuna. Dados recentes mostram que quase 1,2 milhão de pessoas morrem como resultado de colisões, todos os anos. Esse número representa mais de 2,1% da mortalidade global e pode ser comparado ao dos óbitos provocados por moléstias contagiosas.
Observados em maior detalhe, esses dados conseguem ser ainda mais apavorantes. Tais óbitos já ocupam a segunda posição na lista de fatores responsáveis por ceifar crianças e jovens de todo o mundo. E a esmagadora maioria ocorre nos países de nível de renda baixa ou média, comprometendo parcela significativa do PIB.
Além do assustador percentual de mortos, resultam desses acidentes outros milhões de lesionados, muitos dos quais acabam se tornando portadores de necessidades especiais para o resto da vida. E, infelizmente, estudos da própria ONU indicam que, se nada for feito, referidos números assumirão um crescendo inquietante, devido à ampliação da frota de veículos.
Se, no âmbito global, a situação atinge o patamar de problema de saúde pública e de entrave ao desenvolvimento, no Brasil já alcança o de autêntica calamidade. Embora as estatísticas não sejam muito precisas, nosso País, com uma frota em torno de 42 milhões de veículos, está, hoje, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, entre os seis que mais registram casos de mortes por acidente de trânsito.
Aqui, essa ocorrência só é superada pelos homicídios, entre as maiores causas externas de mortandade. E custou, em 2003, segundo estudo realizado pelo Ipea e pelo Denatran, R$ 5,3 bilhões, em socorro e traslado de vítimas, cuidados de saúde e perdas de produção. Além desse custo econômico imediato, há um outro, de natureza emocional duradouro, impossível de contabilizar, mas, talvez, bem mais prejudicial, ainda ao conjunto da sociedade.
Todos os dias, cerca de cem brasileiros são sacrificados, em razão de atitudes reveladoras do completo desrespeito às leis e mesmo às regras básicas de civilidade. Entre essas atitudes, destacam-se: dirigir após a ingestão de bebidas alcoólicas; conduzir o veículo em alta velocidade; desrespeitar a sinalização; não usar cinto de segurança.
Na raiz da questão se acham a imprudência, a irresponsabilidade, a sensação de impunidade, fatores comportamentais danosos ao tecido social e só passíveis de mudança, por meio de intensas ações educativas, de caráter preventivo.
Nesse sentido, promoções como a Semana Global das Nações Unidas de Segurança nas Vias Urbanas e Rurais são tão importantes, alertando sobre a gravidade do problema e discutindo formas de equacioná-lo, que não deveriam ficar restritas a ocasiões específicas.
Cabe a todos nós garantir a continuidade de seus propósitos e o acompanhamento de seus resultados, visando, enfim, a estancar a essa inexplicável tragédia nacional. Esse compromisso é a maior demonstração de respeito que podemos oferecer à memória dos milhões de compatrícios, em sua maioria jovens, vitimados ano após ano, pela situação de descalabro no trânsito.
Todas as proposições, em andamento nesta Casa e outros que decorrerem de iniciativa de parlamentares ou do Executivo contarão com a ajuda de nossa bancada – a do PMDB – e a coordenação pessoal do líder Henrique Eduardo Alves.
As bancadas, unissonamente, devem congregar esforços para que tão alarmantes índices sejam substancialmente reduzidos, trazendo mais tranqüilidade à população.
Daí a irrestrita solidariedade a essa proposição das Nações Unidas, para cujo êxito envidaremos ingentes esforços.


MAURO BENEVIDES
Deputado Federal


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