Discursos

DISCURSO PROFERIDO PELO DEPUTADO MAURO BENEVIDES
NA SESSÃO REALIZADA EM 03 DE MARÇO DE 2009

SENHOR PRESIDENTE
SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS:

Em artigo divulgado no Correio Braziliense, edição de hoje, o deputado Michel Temer, presidente nacional do PMDB, faz uma percuciente analise da atuação de nosso grêmio político, rebatendo acusações, notadamente as que apontam para a falta de rumos e programas de diretrizes especificas em favor do povo.

Acompanhando a trajetória da sigla, na condição que sou de seu fundador, identifico nos conceitos emitidos afirmações incontestáveis, em função das quais a legenda ulyssista se impôs à admiração e ao reconhecimento dos mais variados segmentos sociais.

Tudo isso se acha espelhado na excepcional performance cumprida no último pleito, quando ficou patenteada a iniludível preferência da massa votante aos que lideram os quadros de filiados, desde o general Oscar Passos – primeiro dirigente – até os dias de hoje, com menção especial ao inolvidável Ulysses, a quem se atribui, merecidamente, a condição de reconstrutor do Estado Democrático de Direito, na simultaneidade da promulgação da Carta Cidadã, de que, aliás, me honro de haver sido o segundo signatário, antecedido por ele, excepcional condutor dos trabalhos constituintes.

Com visão de estadista, Michel vem cumprindo o seu papel com admirável clarividência e descortino, cercado do respeito de todos quantos compõem as nossas fileiras.

Em nenhum momento da exemplar gestão, faltou-lhe coragem para assumir claro posicionamento em defesa das grandes causas de interesses do País.

Agora mesmo, quando se torna imperiosa a deliberação em volta da reforma política, o propósito é acelerar o debate, para o que há contado com o indiscrepante apoio do Senador José Sarney e de outras figuras exponenciais dos quadros peemedebistas.

Pela relevância dos conceitos emitidos, entendi de meu dever fazer a inserção do artigo “EM DEFESA DO PMDB” neste pronunciamento, como assim o permite o Regimento Interno da Casa.

Eis a respectiva íntegra, Senhor Presidente:

Em defesa do PMDB

Michel Temer - Presidente da Câmara
dos Deputados e presidente nacional do PMDB


Não é de hoje que o PMDB é alvo de acusações. São alegações do tipo: o PMDB é corrupto; o PMDB só quer cargos; o PMDB não tem rumo e nem programa; o PMDB não se organiza para disputar a Presidência da República. Leio todas com a tranquilidade de quem sabe que tudo isso faz parte da luta política. Até interna. Fosse um partido inexpressivo, as acusações cairiam no vazio. O fato é que, por se tratar da sigla mais forte e capilar do país, não pode permanecer em silêncio. Mais do que respostar, convém esclarecer algumas questões.

O primeiro equívoco está no fato de se apregoar que a instituição PMDB é corrupta. Quem é corrupto? A instituição? Seus membros? Todos? Alguns? Vamos desmistificar essas afirmações. Serão corruptos os seus ministros de Estado indicados pelo PMDB para ajudar a governar? Serão corruptos todos os nossos oito governadores? E os nossos 1.201 prefeitos e 8.497 vereadores, eleitos em 2008 em todo o país, escolhidos democraticamente pelo povo? E os 96 deputados federais e 20 senadores? E as centenas de deputados estaduais? Serão todos corruptos? Que generalização é essa? Outra pergunta que não quer calar: só agora alguns detectaram que o PMDB ou seus integrantes são corruptos? O PMDB, que já chegou a governar 22 estados federados? E que continuou a eleger governadores e prefeitos? Qual a explicação para o silêncio durante anos? Jamais houve corrupção no partido? Nem em outros partidos? Só agora? E no PMDB? Serão corruptos todos esses grupamentos? Do passado e do presente?
Essas perguntas é que levaram ao laconismo da primeira nota da Executiva Nacional do PMDB. O trato responsável da questão impõe que se indiquem os corruptos. Estão aí os conselhos de ética, a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário para investigar, apurar e, se for o caso, apenar. É assim que se dá conteúdo concreto a afirmações políticas.

Quanto aos cargos, lembremos que fizemos uma coalizão programática com o governo. O presidente Lula ofereceu sete pontos de compromisso com o nosso partido, levados e aprovados pelo Conselho Político do Partido, com um único voto divergente entre 63 integrantes. Aprovado o programa, fechamos a aliança com nomes para compor o governo e ajudá-lo a cumprir as metas estabelecidas.

Sobre a acusação de que o PMDB não tem programa e rumo, trata-se de mais uma falsidade. Nosso programa foi elaborado por cientistas renomados como José Marcio Camargo, Marcos Lisboa, André Uraní e Ricardo Henriques, sob a coordenação da Fundação Ulisses Guimarães (FUG). Alguns desses formuladores foram chamados pelo Executivo Federal e lá aplicam as teses do programa que elaboraram para o PMDB. Como não tem rumo? Vale lembrar que a mesma fundação, trazendo uma experiência exitosa do Rio Grande do Sul, transferiu para a área nacional o curso de formação política para candidatos municipais. Foram 60.520 inscritos em todo o país. Portanto, o partido tem rumo. Graças a isso, o PMDB acrescentou, nas eleições municipais, quase 5 milhões de votos aos 14 milhões obtidos em 2004. Assim, o PMDB aumentou o número de prefeitos de 1.057, em 2004, para 1.201, em 2008, e de 8.283 vereadores para 8.497, permitindo a eleição dos nossos candidatos em municípios das capitais e em grandes cidades.

Quanto à candidatura própria à Presidência da República, todos sabem os esforços realizados para termos um candidato há três anos. Na época, prévias mobilizaram a opinião de 16 mil autoridades peemedebistas do país. A verticalização — que inviabilizava alianças do Partido nos Estados — impediu o lançamento de um nome do partido. Hoje, uma hipótese é construirmos o nosso candidato, nada impedindo que se possa fazer uma aliança com a participação efetiva do PMDB na chapa. Afinal, o PMDB tem as maiores bancadas na Câmara e no Senado. Essa equação positiva é fruto da unidade interna. Peemedebista que não concordar com esses posicionamentos pode se oferecer como candidato ou se habilitar à direção partidária. Deixemos de lado abstrações. O momento exige concreções e fatos palpáveis

  
MAURO BENEVIDES
 Deputado Federal

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