Discursos

DISCURSO PROFERIDO PELO DEPUTADO MAURO BENEVIDES

NA SESSÃO DE 03 DE DEZEMBRO DE 2012

 

SENHOR PRESIDENTE

SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS:

 

A Câmara dos Deputados reúne-se, hoje, nesta Sessão Solene, para realçar o transcurso do CENTENÁRIO da Estrada MADEIRA-MAMORÉ, por iniciativa da deputada MARINHA RAUPP e, concomitantemente, a Ferrovia TEREZA CRISTINA, - sediada em Santa Catarina, transformadas em algo de importante ligação entre  estratégicas áreas geográficas do País, na exaltação da qual se incumbiu o Deputado EDINHO BEZ, ambos parlamentares de justificada evidência nesta Casa, pelos serviços que prestam a Rondônia e a Santa Catarina respectivamente.

Incumbiu-se a liderança da bancada peemedebista de pôr em evidência esses dois importantes marcos de progresso e desenvolvimento, cujas datas comemorativas não poderiam ser olvidadas, por encarnarem iniciativas de acentuado progresso, o que faz jus a essa solenidade tão significativa, para homenagear todos quantos, ao longo do tempo, emprestaram a respectiva colaboração a dois símbolos de integração, em esferas geográficas distantes, mas representativas de um processo integracionista que está a merecer o reconhecimento do Poder Legislativo do País, através de uma de suas Casas, na qual tomam assento os representantes da população brasileira.

No que concerne à MADEIRA-MAMORÉ, vale destacar que ela simboliza uma autêntica saga de desbravamento, de coragem, de risco de vida e, sobretudo, da ânsia de fazer conviver países, dispostos a intercalar interesses mútuos de relevância inquestionável.

O traçado da mencionada ferrovia era, para o Brasil, uma lição conveniente, pois abriria nova nota de acesso ao Mato Grosso, até feito quase exclusivamente pela bacia do Prata, navegando-se pelo rio Paraguai. A guerra se encarregou de tornar evidente ao governo imperial brasileiro toda a importância política e estratégica de nova ligação, desta vez navegando por entre os rios Madeira, Mamoré e Guaporé.

Os estudos e propostas tiveram principio em 1870, quando as primeiras tentativas foram procedidas para atender aos objetivos colimados.

O primeiro grupo de engenheiros chegou a Santo Antonio do Madeira em 8 de julho de 1872, aportando, logo em seguida, os equipamentos e operários trazidos dos Estados Unidos para principiar uma verdadeira e gloriosa epopeia.

Ultrapassadas todas as dificuldades, em 1882 os governos do Brasil e da Bolívia firmaram um tratado relativo à navegação de seus rios fronteiriços e à construção da estrada ligando o rio Mamoré ao trecho navegável do Madeira, decisão posteriormente chancelada pelo Acordo de Petrópolis, em 17 de novembro de 1903, tendo como signatários o Brasil e a Bolívia.

Mais de 20 mil trabalharam no mega cometimento, ensejaram, concomitantemente, a construção do Hospital da Candelária, impressionando o sanitarista Osvaldo Cruz, ao proceder visita de inspeção à obra, para constatação de seus regular funcionamento, dentro dos padrões exigidos à época.

Ressalte-se, por imperativo histórico, que o primeiro trecho, com 90 quilômetros de extensão, entre Porto Velho e Jaci Paraná, somente foi inaugurado em 31 de maio de 1910.

O ultimo dormente foi implantado em 30 de abril de 1912, no ponto final, em Guarajá Mirim.

Quando foi, finalmente, concluída, a rodovia ligava a futura Porto Velho e Guajará Mirim, na fronteira com Bolívia, numa extensão de 364 quilômetros.

Com o declínio do comércio da borracha, a ferrovia entrou em inevitável declínio, sendo, a seguir, definitivamente desativada, embora tenha prestado relevantes serviços ao País, daí a homenagem aos que a idealizaram em época remota.

SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS:

No que pertine à Ferrovia Dona Tereza Cristina, vale ressaltar que a sua origem decorreu da descoberta do carvão catarinense, conforme relata, minuciosamente, o escritor Amádio Vetorreti – História de Tubarão, nas origens do século XX, valendo destacar que duas empresas surgiram dispostas a promover à exploração cuja destinação, no primeiro momento seria destinada a Inglaterra.

A Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina, aos poucos, ia se tornando uma esplêndida realidade, como se lê no livro “Tereza Cristina – a Ferrovia do Carvão”.

Se de mais tempo dispuséssemos, mereceria registro a porfia dos que construíram a ferrovia e a fizeram transformar-se em instrumento propulsor do crescimento econômico daquela Unidade da Federação.

Presidentemente, os comboios do FTC alcançam as seguintes comunas catarinenses: Tubarão, Criciúma, Laguna, Imbituba, Urussanga, Içara, Jaguarina, Capivari de Baixo, Morro da Fumaça, Sangão, Treviso, Cocal do Sul e Forquilha, o que mostra a sua significação para o povo catarinense e o próprio País.

Com menção a essas duas portentosas realizações – a Estrada Madeira-Mamoré – e a Ferrovia Tereza Cristina – prestamos o nosso tributo de reconhecimento a todos quantos, no passado, tiveram a visão clarividente de através de estradas de ferro – ajudarem a construção de um País, que se impõe pela capacidade empreendedora de seus dirigentes.

Por tudo isso, nós nos regozijamos por registrar, solenemente, a oportuna iniciativa dos parlamentares Marinha Raupp, Edinho Bez que tributaram através desta Sessão Solene reconhecido preito de admiração aos que idealizaram tão meritórias iniciativas, de significado histórico inapagável.     

 

                             MAURO BENEVIDES

                       Deputado Federal

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