Discursos

DISCURSO PROFERIDO PELO DEPUTADO MAURO BENEVIDES
NA SESSÃO SOLENE EM HOMENAGEM À 10ª EDIÇÃO DO GRITO DA TERRA BRASIL DE 21 DE MAIO DE 2007

SENHOR PRESIDENTE
SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS
DEMAIS ILUSTRES CONVIDADOS:

Na condição de representante do PMDB, nesta Sessão Solene, em homenagem à 10ª Edição do Grito da Terra Brasil, dirijo-me, primordialmente a quantos mourejam nessa árdua tarefa, alvo de incompreensões e injustiças, que merecem ser humanizadas. A eles deverão chegar a auspiciosa mensagem de fraternidade, de alento e de esperança.
Apesar do proclamado empenho da gestão do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em solucionar, com celeridade e equilíbrio, os desafios agrários do Brasil, é forçoso reconhecer que ainda são inúmeros os problemas emergenciais e estruturais no meio rural, angustiando os diversos segmentos conscientizados da opinião pública brasileira.
Como cristão, vem-me à memória o que prescreve explicitamente o GÊNESIS, no Capítulo 1º, versículo 28: “ENCHEI A TERRA E DOMINAI-A”.
Nas sapientes palavras do Papa Paulo VI, em sua Encíclica Populorum Progressio, “a Bíblia ensina-nos que toda a criação é para o homem, com a condição de ele aplicar o seu esforço inteligente em valorizá-la e, pelo seu trabalho, completá-la a serviço de todos.
Se a terra existe para fornecer, a cada um, os meios de subsistência e os instrumentos do progresso, todo o homem possui direito, portanto, de nela encontrar o que lhe é necessário”
Senhor Presidente:
A concretização dos desígnios de Deus deve constituir inarredável compromisso de todo homem público, tendo por inspiração textos sagrados. Em razão disso, esta Casa Legislativa, composta por 513 integrantes, deve dedicar, – a essa temática – , especial atenção situando-a como expressão de identidade a orientar o procedimento dos representantes populares.
Acima de tudo, porém, é preciso que saibamos equacionar, corretamente, os legítimos e históricos anseios desta esfera nevrálgica, principalmente no que concerne à redução dos elevados níveis de empobrecimento rural.
É fundamental acreditar que ninguém, a começar pelos próprios carentes, quer que persistam os desprimorosos índices de pauperismo que predominam entre nós.
Uma renda condigna e a ocupação produtiva são requisitos indispensáveis à conscientização de todos, até mesmo para assegurar a produção de alimentos e a formação de estoques reguladores.
A justa reivindicação em prol da garantia de rentabilidade mínima para os pequenos agricultores traduz sentimentos latentes no seio dos que compõem esta Casa, com vistas a que se valorizem quantos se dedicam à agricultura, sobretudo os que produzem o alimento necessário à sobrevivência de todos nós.
Entende-se, perfeitamente, que a mulher e o homem da vida rural costumam reconhecer aqueles que lhes tragam cooperação significativa no momento em que dela necessitam para sobreviver.
Ajudar o camponês, o pequeno agricultor a viver com decência e não em meio a padrões insignificantes que afrontam à dignidade da pessoa humana, é tarefa que se impõe a todos nós, conhecedores de uma realidade madrasta, que precisa ser superada em nome  dos mais caros sentimentos de fraternidade.
Torna-se, pois, imperioso que garantamos aos que trabalham no campo o acesso à educação, à saúde, à higiene, à energia elétrica, estimulando o governo, em relação a essa última aspiração, LUZ PARA TODOS, inadmitindo qualquer protelação no cumprimento do anunciado programa governamental, tantas e seguidas vezes enfatizado pelo próprio Primeiro Mandatário do País.
É imprescindível, por outro lado, que se assegure um substancial aumento no financiamento da produção, com recursos maciços e a juros baixos, ensejando a concessão de crédito daqueles que, muitas vezes, são desconsiderados na postulação de seus respectivos empréstimos, em estabelecimentos oficiais, que deviam cumprir fielmente, os parâmetros basilares de políticas compatíveis com a realidade emergente, até mesmo na presente conjuntura, quando se torna imperioso um esforço ininterrupto para favorecer o homem do campo.
Dentro de tais diretrizes, o PMDB estará posicionado, reafirmando, neste instante, os seus compromissos com os agricultores, na comemoração de mais uma EDIÇÃO DO GRITO DA TERRA BRASIL.
Espero, pois, que todos somem esforços para a superação de percalços despropositados, cuja ultrapassagem se impõe em nome de nossos apregoados sentimentos de fraternidade.
O PMDB lutará para que os conflitos ainda remanescentes cedam lugar a entendimento e à compreensão entre os brasileiros.
Este novo GRITO DA TERRA motivará, certamente, intensiva mobilização para que, ainda mais proficientemente, se possa descortinar no campo um quadro de paz e de integral respeito aos que nele despendem os seus esforços, na busca de um clima, com menos injustiça e mais compreensão!
Muito mais do que um Grito de Inconformismo, o que se realça, hoje, é um Brado de Fé e Confiança no término de uma era de indiferenças, tornando-se imprescindível o congraçamento a todos os nossos compatrícios para a implantação de impostergável ambiente em que se consignem direitos e prerrogativas inalienáveis, já que isso significa fiel observância do status individual da Cidadania, inerente ao Estado Democrático de Direito.    
 

MAURO BENEVIDES
Deputado Federal

Mauro Benevides © 2011 Todos os direitos reservados