Discursos

DISCURSO PROFERIDO PELO DEPUTADO MAURO BENEVIDES

NA SESSÃO DE 01 DE AGOSTO DE 2013

 

 

SENHOR PRESIDENTE

SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS:

 

O empresário Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria, publicou, na edição de ontem do Correio Braziliense, alentado artigo, intitulado EDUCAR PARA MELHOR COMPETIR, ressaltando que as Nações mais desenvolvidas são aquelas – como a Coreia do Sul e a Irlanda – que promoveram autentica revolução da esfera do ensino, com reflexos extremamente positivos no âmbito do crescimento sustentado de sua respectiva economia.

Enfatizou aquele ilustre filho das Alterosas, que “é preciso apostar na educação de qualidade, não só pelo fato óbvio de que, sem ela, a Cidadania integral é impossível e o seu exercício se limita a manifestações como voto a cada dois ou quatro anos”.

As abalizadas conclusões do preclaro articulista ajustam-se à nossa realidade, daí por que pretendo comentar, desta tribuna, o seu correto ajuizamento de algo com inquestionável relevância para todas as Nações, as quais aspiram expandir-se num mundo competitivo, em condições plenamente satisfatórias.

Pelos rumos pedagogicamente irrepreensíveis, entendi de meu dever solicitar a transcrição, na íntegra, da palpitante matéria, nos termos franqueados pelo Regimento Interno da Casa.

Daí, Sr.Presidente, a postulação que solicito à Mesa é no sentido de que se diligencie a aludida inserção, pela palpitância de que se reveste o trabalho do líder maior dos setores empresariais do nosso Pais, com reconhecido prestigio, além-fronteiras.  

Eis o texto integral, Sr.Presidente:

Os países mais bem posicionados nos rankings de competitividade são diferentes entre si, mas têm alguns pontos em comum. O principal é o bom nível educacional de suas populações. Alguns, como Coreia do Sul e Irlanda, fizeram uma revolução no ensino na última geração, com nítidos reflexos no potencial de crescimento sustentado de suas economias. O Brasil nunca será plenamente desenvolvido se não investir de forma consistente e duradoura na educação de crianças e jovens. Isso não se fará só com mais dinheiro, mas também com a melhora da qualidade das aulas, da gestão escolar e do material didático, além da valorização dos professores.

É preciso apostar na educação de qualidade não só pelo fato óbvio de que, sem ela, a cidadania integral é impossível, e seu exercício se limita a manifestações como o voto a cada dois ou quatro anos. O tema deve ser uma obsessão nacional também porque, na ausência de uma população capaz de entender, se adaptar e propor soluções para os problemas postos pelas cada vez mais complexas relações econômicas, o crescimento tem fôlego curto. A economia contemporânea exige preparo intelectual, criatividade e inovação, especialmente para superar os efeitos da crise global que ainda persistem.

A qualidade da educação brasileira é um dos mais sérios obstáculos ao aumento da produtividade dos nossos trabalhadores e à adoção de práticas inovadoras pelas empresas. Com o esforço de sucessivos governos e da iniciativa privada, o ensino básico já alcança 97% das crianças entre 7 e 14 anos de idade e 83,3% dos jovens de 15 a 17 anos. A taxa de conclusão, entretanto, é menor: 63,4% dos que têm 16 anos finalizaram o ensino fundamental em 2011 e metade dos jovens de 19 anos terminou o ensino médio. Os dados são da organização Todos pela Educação.

A escolaridade média da população de 15 anos ou mais aumentou de 6,4 para 7,5 anos entre 2000 e 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas continuamos com uma média de anos de estudo abaixo de países como China, México e Malásia. Isso se reflete na qualificação da mão de obra da indústria nacional. De acordo com o Ministério do Trabalho, cerca de 20% dos trabalhadores industriais não possuem o ensino fundamental completo e 45% não concluíram o ensino médio. Esses níveis de preparo são insuficientes para um setor que moderniza constantemente suas máquinas e equipamentos.

Outro problema é a qualidade da educação regular brasileira, que não condiz com o volume de recursos investidos. Nesse campo, as estatísticas mostram que ainda temos um caminho grande a percorrer. O país aplica 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB), número semelhante ao de Holanda, França e Estados Unidos, por exemplo. Mas ocupamos a 54ª colocação no último Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), enquanto os holandeses ficam na 9ª; os franceses, na 25ª; e os norte-americanos, na 26ª.

Em matemática, o desempenho é pior – 57º lugar. As primeiras posições no Pisa são alternadas entre Finlândia, Hong Kong, Coreia e China.

Segundo o Ministério da Educação, 42% dos alunos brasileiros do 3º ano do ensino médio apresentam dificuldades de leitura e de interpretação de textos e 67,4% mal entendem os problemas matemáticos propostos. A evolução nessa área se dá devagar. Por isso, é preciso aperfeiçoar as ações educacionais já.

Quanto antes melhorarmos a qualidade da educação, mais cedo poderemos obter bons resultados, consolidando um caminho seguro para a melhora da competitividade da nossa economia, para o nosso aperfeiçoamento institucional e democrático, e para o desenvolvimento do país. 

Atento a essa necessidade, o setor industrial identificou a educação como um dos 10 fatores-chaves para garantir a competitividade na próxima década. Não à toa, o tema é o primeiro a ser desenvolvido no Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022. Nele, colocamos como meta para a sociedade brasileira elevar a posição do país no ranking do Pisa da 54ª para a 43ª em 2021. Para isso, serão necessárias ações como: ampliar e cumprir a jornada escolar; fortalecer o ensino de português, matemática e ciências; qualificar professores e diretores de escolas públicas; disponibilizar práticas pedagógicas inovadoras; e aproximar o ensino do mundo do trabalho e das famílias.

O Brasil tem uma capacidade de reação proporcional ao tamanho de seus problemas. Por isso, estou seguro de que conseguiremos fazer da educação nacional uma fonte de expansão da nossa competitividade.

Robson Braga de Andrade é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

 

MAURO BENEVIDES

Deputado Federal

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