Discursos

 

 

DISCURSO PROFERIDO PELO DEPUTADO MAURO BENEVIDES

NA SESSÃO DE 17 DE DEZEMBRO DE 2014

 

 

SENHOR PRESIDENTE

SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS:

            

A Universidade Federal do Ceará, pela Lei n° 2.373/54 tenha sua criação sancionada pelo então Presidente Café Filho, após exitosa campanha liderada por Antônio Martins Filho, seu primeiro Reitor e incomparável propugnador de uma obra que alcança seis décadas de existência, como mola impulsionadora de nosso desenvolvimento, sob múltiplos aspectos.

Integrando o escritório de advocacia daquele inesquecível Mestre do Direito, acompanhei todos os lances de sua exitosa e decisiva atuação, de que resultou, por uníssona indicação da Bancada Federal, a sua indicação para Reitor da novel Universidade.

Sobre o magno evento, o magnífico Reitor Jesualdo Farias, competente dirigente máximo da UFC, fez publicar alentado artigo no jornal O Povo, sob o título: “Aos 60 anos, a UFC é referencial histórica”.

Pelo significado ao evento e o fidelíssimo relato do atual dirigente máximo daquela modelar Instituição, solicito a inserção da matéria nos Anais da Casa, de relevância inquestionável nos fastos historiográficos de nossa Unidade Federada.

Eis o respectivo texto, Senhor Presidente:

A Universidade Federal do Ceará nasceu sob o signo da ousadia. Em 1954, não eram muitos os que acreditavam na viabilidade de uma universidade cearense. Os incrédulos subestimavam a coragem e visão de futuro de Martins Filho, desconheciam a capacidade intelectual do brilhante grupo de professores que o acompanhavam e a intrepidez dos estudantes que se somaram à luta pela conquista de um novo status para o ensino superior em nosso Estado. A então universidade do Ceará foi criada, a 16 de dezembro de 1954, pela Lei N° 2 373, que levou a assinatura do presidente João Café Filho. Na ocasião reunia a Faculdade de Direito, a Faculdade de Farmácia e Odontologia, a Escola de Agronomia e a Faculdade de Medicina. Martins Filho exerceria durante 12 anos as funções de reitor, período no qual a universidade moldou seu espaço físico, seu corpo docente e técnico-administrativo, seu projeto, seu destino. 

 

A galeria de reitores que o sucederam incluiria Fernando Leite, Walter Cantídio, Pedro Teixeira Barroso, Paulo Elpídio de Menezes Neto, José Anchieta Esmeraldo Barreto, Raimundo Hélio Leite, Antônio de Albuquerque Sousa Filho, Roberto Cláudio Frota Bezerra, René Teixeira Barreira, Luís Carlos Saunders e Ícaro de Sousa Moreira. Cada um, em seu tempo, no compasso das circunstâncias históricas, atuou no sentido de agregar novos contributos para a construção da universidade, que hoje realça como uma das mais bem avaliadas do País e a segunda do Norte e Nordeste, no ranking do Índice Geral de Cursos do Ministério da Educação.



Esse desempenho resulta de 60 anos de empenho, talento e compromisso. Resulta, igualmente, do importante avanço registrado nos últimos 12 anos, quando o governo da União enxergou o potencial das universidades federais e iniciou a recuperação dos investimentos e a reposição dos quadros docentes e técnico-administrativos. A UFC é emblemática do que aconteceu. Só no período de 2008 a 2014 – para enfocarmos apenas o item da expansão – foram implantados 45 cursos de graduação, 24 de doutorado e 22 de mestrado. O Campus no Cariri consolidou-se e transformou-se na Universidade Federal do Cariri. Os de Sobral e Quixadá foram igualmente consolidados e dois novos campi surgiram nas cidades de Russas e Crateús. Hoje, de uma forma ou de outra, a UFC está presente nos 184 municípios cearenses.



Ao mesmo tempo, passou a acolher número cada vez maior de jovens das classes menos favorecidas. O desafio que se colocava, ao incorporarmos corajosas ações afirmativas, está sendo vencido: contrariando previsões pessimistas, a democratização tem acontecido, sem que isto comprometa a qualidade do ensino, da pesquisa, da extensão. O resultado é que a universidade passou a espelhar mais fielmente a sociedade, com todas as classes sociais representadas no campus.



É esta a universidade que se propõe ser referencial histórico. No mundo em transformação, ela se recria, se reinventa, renova propostas, abdicando, ao mesmo tempo, daquelas certezas e dogmas que a engessavam no tempo e no espaço. Assim consegue assumir seu papel de instituição transformadora, imprescindível para o avanço da sociedade, cada vez mais constituída como baluarte das liberdades democráticas, dos direitos humanos, da legalidade.

MAURO BENEVIDES

      Deputado Federal

 

 

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