Discursos

DISCURSO PROFERIDO PELO DEPUTADO MAURO BENEVIDES
NA SESSÃO DE 09 DE JULHO DE 2007





SENHOR PRESIDENTE
SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS:




Em que pese o esforço despendido por parte do Presidente Arlindo Chinaglia, não teremos, em tempo hábil, a oportunidade de reformular a nossa sistemática eleitoral e partidária, em condições de vigorar durante o próximo ano, com inovações que buscariam corrigir distorções habitualmente registradas, a exemplo da influência do poder econômico, descaracterizador da legitimidade dos pleitos levados a efeito no território Nacional.
Diante da frustrada tentativa da inovação decorrente das chamadas listas preordenadas, pensou-se em cingir o financiamento público de campanha aos candidatos a cargos majoritários, permanecendo os proporcionais atrelados às doações privadas, sempre qualificadas como capazes de criar desproporcionalidades entre competidores de uma mesma legenda.
Sabe-se que o Conselho Político, que agrega as facções situacionistas, entendeu que inexistiria espaço para a implantação da REFORMA POLÍTICA, em face da necessidade de o projeto ser encaminhado, também – por força do bicameralismo – ao Senado Federal, presentemente enfrentando problemas internos, que tumultuam o seu funcionamento normal.
Diante disso, e sobretudo levando em conta a exigência constitucional da anterioridade de um ano a fim de que as modificações entrassem em vigor, a tempo de prevalecer na próxima refrega municipal, foi preconizado o exame da proposição num prazo bem elástico e em clima de tranqüilidade nas duas Casas do Parlamento.
Frustrou-se, desta forma, mais uma vez, a esperança dos segmentos conscientizados da sociedade civil organizada, pressurosos pela adoção de normas moralizadoras que assegurassem maior austeridade às disputas para os cargos majoritários e proporcionais.
Assiste-se, assim, a uma protelação inexplicável em temática vital ao procedimento democrático do País, o que há gerado inconformismo neste plenário, engolfados que estavam os eminentes colegas numa discussão de inquestionável magnitude para todos nós.
Durante o próximo recesso, em visita às bases eleitorais, que desculpa daremos aos respectivos correligionários, em face das interpelações a que formos submetidos inevitavelmente?
Em relação à mídia local, seremos julgados benevolentemente, ou deixaremos transparecer imagem de desídia, omissão ou negligência imperdoáveis?
Em decorrência de tais desencontros, o Congresso poderá ampliar a sua faixa de desgaste, enquanto o Presidente da República manter-se-á em alta, privilegiado por percentuais consagradores, que lhe dão ampla tranqüilidade para dirigir os destinos da Nação brasileira.
Não será demais – a esta altura dos acontecimentos – solicitar, ainda, às lideranças no sentido de que operacionalizem alternativas viáveis que permitam uma definição que corresponda aos anseios populares.
Com uma aceitação ridícula de apenas 1,1%, o Legislativo não reconstruirá o seu prestígio como peça basilar de todo o arcabouço democrático.
Fica, assim, o nosso patético e derradeiro apelo aos que, nesta Casa, podem conduzir uma atuação que se compatibilize com as aspirações da própria conjuntura institucional, os quais inadmitem novas delongas, maculadoras dos inarredáveis deveres para com a lisura das eleições.


MAURO BENEVIDES
Deputado Federal

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