Artigos

TRIUNFO DE CHINAGLIA 


Nos seus pronunciamentos, antes e depois da vitória que o guindou à Presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia defendeu, com entusiasmo, a independência dos Poderes, numa sibilina tentativa de predispor os tucanos para uma futura aproximação, no caso de configurar-se, como, de fato, ocorreu, o segundo turno, em meio à expectativa dos parlamentares e às conjecturas dos atores do panorama vivenciado hodiernamente.
Levando-se em conta a tripartição dos sufrágios, devido a candidatura de Gustavo Fruet, era previsível que nenhum postulante alcançasse, no primeiro turno, a indispensável maioria absoluta, convindo preparar o terreno para a segunda apuração dos votos necessários, destinados a garantir o triunfo na etapa posterior, reputada inevitável pelo equilíbrio entre os blocos situacionistas.
No discurso pós-eleição, no embalo de incontida alegria, Arlindo mostrou-se tranqüilo para situar-se numa postura de elegância, enfatizando, seguidas vezes, o seu propósito de reabilitar o Congresso. Tornou-se o responsável pelo esforço comum, com vista à recuperar o prestígio da Instituição, abalado com os desprimorosos episódios da legislatura passada. Ao liberar os seus colegas de bancada, o líder Antônio Carlos Pannunzio abriu o flanco para que o petista incursionasse entre os peessedebistas, de forma sutil, mas obstinada e elegante, o que lhe proporcionou vencer o pleito do último dia 1º de fevereiro. Se não fora o malogro da indicação de Wilson Santiago, preterido por seu companheiro Osmar Serraglio, a chapa teria obtido, integralmente, o êxito projetado.
Frustrou-se, assim, o compromisso com o paraibano, em virtude do renome que alcançou Serraglio como relator da CPMI dos Correios, quando o seu contundente relatório apontou graves irregularidades, discriminando aqueles que haviam infringido princípios éticos inarredáveis.
Na composição das Comissões Permanentes, Santiago, certamente, será aquinhoado com a mais importante delas, em decisão consensual que valerá como reparo ao insucesso na disputa a que se  submeteu, num plenário em que não se registrou nenhuma ausência. 
Aldo Rebelo, por sua vez, absorverá o revés, mantendo-se fiel ao presidente Lula, ajudando-o em suas propostas para impulsionar o desenvolvimento nacional.
Terminada a competição, os ressentimentos evanescem, a fim de permitir a Câmara dos Deputados soerguer-se, e suplantar a fase ominosa que abalou, intensamente, a credibilidade do Legislativo diante do povo brasileiro.
Que volte a reinar a paz no seio de Abraão!

                 
Mauro Benevides
Jornalista e Deputado Federal pelo PMDB do Ceará

Mauro Benevides © 2011 Todos os direitos reservados