Discursos

DISCURSO PROFERIDO PELO DEPUTADO MAURO BENEVIDES
NA SESSÃO SOLENE EM HOMENAGEM A FREI GALVÃO DE 16 DE ABRIL DE 2007




SENHOR PRESIDENTE
DIGNÍSSIMAS AUTORIDADES
SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS:



    Em 11 de Maio vindouro, tendo como palco soleníssimo o Aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo, BENTO XVI celebrará Missa Campal, quando se dará, oficialmente, a aguardada CANONIZAÇÃO do frade franciscano, ANTONIO DE SANT’ANA GALVÃO.
    A presença de Sua Santidade em terras brasileiras será motivo de imensa honra e justificada alegria para milhões de fiéis, espalhados por todo o País, os quais acompanharão a magna cerimônia, não apenas pela presença do PONTÍFICE – que nos visita pela primeira vez – mas, também, porque vem efetivar a gloriosa CANONIZAÇÃO do primeiro brasileiro NATO, cujas incomparáveis virtudes tornaram-no privilegiado da decisão do VATICANO.
    Passaram-se quase DEZ anos da proclamada beatitude de FREI GALVÃO pelo saudoso JOÃO PAULO II, em reconhecimento ao milagre inicial a ele atribuído: a cura de uma criança de quatro anos, em estado de coma, devido a grave enfermidade.
    Desde a beatificação, registrada em 08 de abril de 1997, o processo tramitou pela CONGREGAÇÃO DOS SANTOS e somente a 16 de dezembro de 2006, o Papa Bento XVI reconheceu o segundo milagre, condição imprescindível para a proclamação de santidade, respeitantes os cânones da Igreja Católica. Em 1999, durante parto considerado de alto risco, mãe e filho conseguiram sobreviver, a despeito de prognósticos clínicos pessimistas, que apontavam para grave deficiência do recém nascido, num quadro de aflição e perplexidade.
    Remonta, aliás, ao ano de 1938 o início da elaboração dos documentos destinados à canonização de Frei Galvão, embora, apenas em 1991, a postulação favoreceu-se de um rito de maior celeridade, para cujo andamento voltavam-se as atenções do nosso País.
    Agora – Senhoras e Senhores Parlamentares, ilustres autoridades e convidados – a Igreja no Brasil espera, com santa euforia, que seja anunciada a CANONIZAÇÃO de FREI GALVÃO na cerimônia programada para a data referenciada.
    Nascido em GUARATINGUETÁ em 1739, veio ele a falecer a 23 de dezembro de 1822, descendente de imigrante português e uma brasileira, filha de fazendeiros, bisneta, no levantamento genealógico, do famoso FERNÃO DIAS PÃES LEME, ensejando a que Frei Galvão crescesse em meio ao carinho dos irmãos, num razoável contexto social que sua família desfrutava no Estado Bandeirante.
Aos 13 anos, o Colégio dos Jesuítas, no Estado da Bahia, haveria de matriculá-lo, mas, a seguir, por orientação de seu próprio pai, passou a vincular-se à Ordem dos Padres Franciscanos, motivando-o para, em 1971, professar votos solene que o conduziriam – um ano depois, a receber a unção sacerdotal, sequenciada, com a sua transferência para o Convento de São Francisco, em São Paulo, ali aperfeiçoando estudos filosóficos e teológicos, permanecendo no seu mister apostólico durante sessenta anos, até sua morte, cercado das bênçãos de sua de sua Congregação e as preces de imensa legião de fiéis.
FREI GALVÃO legou, como uma de suas maiores realizações, o magnífico MOSTEIRO DA LUZ, em cujas obras atuou como arquiteto, mestre e até como pedreiro voluntário. Ressalte-se que a histórica edificação foi proclamada PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE, pela UNESCO.
SENHOR PRESIDENTE:
Esta breve retrospectiva, que me senti no dever de elaborar, a instâncias do Líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves, a quem represento neste momento, é o tributo de nossa reverência a um homem predestinado que soube entregar-se, de corpo e alma, a uma missão evangelizadora, que robusteceu crença de todos os compatrícios.
A sua CANONIZAÇÃO constituirá acontecimento marcante em nossos fastos historiográficos, sinalizando que outros brasileiros poderão, dentro em breve, alçar-se à idêntica glorificação, como esperam os meus conterrâneos em relação a Dom ANTONIO DE ALMEIDA LUSTOSA e PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA.
Que FREI GALVÃO interceda pelo Brasil e o seu povo, a fim de que se reduzam as ainda gritantes desigualdades sociais, ensejando a que todos vivam com dignidade, sem carências injustas e com maiores benefícios para os oprimidos e aos que se situam à margem do desenvolvimento, e bem estar da coletividade. SALVE O SANTO FREI GALVÃO, cujas virtudes fizeram-no transformar-se num símbolo do fervor do povo brasileiro.


MAURO BENEVIDES
Deputado Federal

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